Crianças e adolescentes

TEA — Transtorno do Espectro Autista: sinais, avaliação e cuidado

Diferenças na comunicação social, na flexibilidade comportamental e no processamento sensorial. Cuidado individualizado e baseado em suporte.

O Transtorno do Espectro Autista, ou TEA, é uma condição do neurodesenvolvimento que pode afetar a comunicação social, a interação com outras pessoas, a flexibilidade comportamental e a forma como a pessoa percebe e responde ao ambiente.

O termo “espectro” é importante porque o TEA não se apresenta da mesma forma em todas as pessoas. Algumas precisam de pouco suporte no dia a dia, enquanto outras necessitam de apoio mais intenso em diferentes áreas da vida.

O TEA começa no desenvolvimento infantil, mas nem sempre é identificado cedo. Em algumas pessoas, especialmente quando há boa linguagem ou estratégias de compensação, os sinais podem ficar mais evidentes apenas quando as demandas sociais aumentam, como na escola, na adolescência ou até na vida adulta.

Quais sinais podem aparecer?

O primeiro grupo envolve dificuldades na comunicação social e na interação: dificuldade em manter trocas sociais, pouca reciprocidade emocional, dificuldade em compartilhar interesses, uso reduzido de gestos, expressões faciais ou contato visual, além de desafios para compreender pistas sociais, fazer amizades ou participar de brincadeiras de faz de conta.

O segundo grupo envolve padrões restritos ou repetitivos de comportamento, interesses ou atividades: grande necessidade de rotina, sofrimento diante de mudanças, movimentos repetitivos, interesses muito intensos e específicos, apego a detalhes ou objetos, dificuldade para mudar de assunto ou flexibilizar comportamentos.

Também podem estar presentes diferenças sensoriais, como incômodo intenso com sons, luzes, texturas ou cheiros, seletividade alimentar, busca por estímulos sensoriais ou aparente menor percepção de dor, frio ou calor.

TEA não é igual em todas as idades

Em crianças pequenas, alguns sinais podem incluir atraso na fala, pouca resposta ao nome, dificuldade em apontar para mostrar interesse, menor uso de gestos, pouca brincadeira simbólica ou interesse restrito por partes de objetos.

Em crianças maiores e adolescentes, podem aparecer dificuldades nas amizades, sofrimento em situações sociais, rigidez com regras e rotinas, interesses muito específicos, ansiedade, isolamento ou cansaço por tentar se adaptar socialmente.

Em adultos, o TEA pode se manifestar como dificuldade persistente nas relações sociais, sensação de esforço constante para “parecer adequado”, hipersensibilidades sensoriais, necessidade de previsibilidade e histórico de ansiedade, exaustão ou sensação de não pertencimento.

Como é feita a avaliação?

A avaliação do TEA é clínica e deve considerar a história do desenvolvimento, os comportamentos atuais, o funcionamento social, familiar, escolar ou profissional e a presença de outras condições associadas. Quando possível, a avaliação deve ser multidisciplinar.

Além de confirmar ou não o diagnóstico, a avaliação deve identificar o perfil da pessoa: suas dificuldades, seus pontos fortes, suas necessidades de suporte, seu estilo de aprendizagem, sua comunicação, suas habilidades adaptativas, questões sensoriais e possíveis condições associadas.

Existe tratamento para TEA?

O TEA não tem uma “cura” única. O cuidado deve ser individualizado e voltado para ampliar comunicação, autonomia, qualidade de vida, participação social e bem-estar. As ideias centrais são personalizar, contextualizar e empoderar.

As intervenções podem incluir orientação familiar, adaptações escolares, estratégias de comunicação, terapia fonoaudiológica, terapia ocupacional, intervenções comportamentais, desenvolvimento de habilidades sociais, psicoterapia adaptada quando indicada e acompanhamento médico para condições associadas.

Medicações não tratam os sintomas centrais do TEA, mas podem ser indicadas em situações específicas, como TDAH associado, ansiedade importante, irritabilidade intensa, agressividade, automutilação ou alterações do sono, sempre após avaliação médica individualizada.

Quando procurar avaliação?

Vale procurar avaliação quando há dificuldades persistentes na comunicação social, atraso ou diferenças importantes na linguagem, sofrimento intenso com mudanças, comportamentos repetitivos, interesses muito restritos, alterações sensoriais marcantes ou prejuízos nas relações, na escola, no trabalho ou na rotina familiar.

As informações deste texto têm caráter educativo e não substituem uma avaliação médica individualizada.

Dra. Sarah Mantovani Rennó — Psiquiatra | CRM-PR 51546 | RQE 39107

Fonte base: Adaptado do capítulo “Transtorno do Espectro Autista” do Tratado de Saúde Mental da Infância e Adolescência da IACAPAP.

Precisa de uma avaliação?

Se você reconheceu algum desses sinais em você ou em um familiar, uma avaliação individualizada pode ajudar.

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