Crianças e adolescentes

Depressão em crianças e adolescentes: como reconhecer e tratar

Muito além da tristeza: irritabilidade, isolamento, queda no rendimento e desesperança que exigem atenção.

A tristeza faz parte da vida. Ela pode aparecer diante de perdas, frustrações, mudanças, conflitos ou momentos difíceis. Mas a depressão não é apenas “estar triste”.

A depressão é um quadro clínico que envolve alteração persistente do humor, perda de interesse ou prazer, queda de energia, mudanças no sono e no apetite, dificuldade de concentração, pensamentos negativos e prejuízo no funcionamento da pessoa.

Em crianças e adolescentes, a depressão pode ser ainda mais difícil de reconhecer, porque nem sempre aparece como tristeza clara. Muitas vezes surge como irritabilidade, isolamento, queda no rendimento escolar, queixas físicas, desânimo, tédio constante ou mudanças importantes no comportamento.

Como a depressão pode aparecer?

Os principais sinais incluem tristeza persistente, irritabilidade, perda de interesse por atividades antes prazerosas, cansaço, alteração do sono, alteração do apetite, dificuldade de concentração, sentimentos de culpa, baixa autoestima, desesperança e pensamentos sobre morte.

Em crianças e adolescentes também podem chamar atenção: recusa escolar, queda nas notas, afastamento dos amigos, abandono de atividades, explosões de raiva, maior sensibilidade a críticas, dores frequentes sem explicação médica suficiente e uso de substâncias.

Um ponto importante é observar mudança de padrão. Um adolescente que sempre foi sociável e passa a se isolar, uma criança que gostava de brincar e perde o interesse, ou um jovem com bom desempenho escolar que começa a faltar merece atenção.

Depressão não é falta de força de vontade

A depressão pode afetar pensamento, corpo, emoções e comportamento. A pessoa pode até querer melhorar, mas sentir que não consegue reagir como antes. Comentários como “é preguiça”, “é drama” ou “é só pensar positivo” tendem a aumentar culpa e isolamento.

Quando a tristeza vira sinal de alerta?

Vale procurar avaliação quando os sintomas são persistentes, ocorrem na maior parte dos dias, duram pelo menos duas semanas e causam prejuízo na rotina, nas relações, nos estudos, no trabalho ou no autocuidado.

Também é importante procurar ajuda quando há desesperança, isolamento intenso, automutilação, falas sobre morte, sensação de ser um peso para os outros ou qualquer suspeita de risco de suicídio. Em situações de risco imediato, a orientação é procurar atendimento de emergência ou pronto atendimento.

Como é o tratamento?

O tratamento depende da gravidade do quadro, da idade, dos riscos envolvidos, das condições associadas e do contexto de vida.

Em quadros leves, pode ser indicado acompanhamento com psicoeducação, suporte familiar, organização da rotina, cuidado com sono e psicoterapia. Em quadros moderados a graves, a psicoterapia estruturada e o tratamento medicamentoso podem ser necessários. Abordagens como terapia cognitivo-comportamental e psicoterapia interpessoal têm evidências em jovens.

Depressão tem tratamento. Quanto antes o sofrimento é reconhecido, maiores as chances de cuidado adequado e prevenção de agravamentos.

As informações deste texto têm caráter educativo e não substituem uma avaliação médica individualizada.

Dra. Sarah Mantovani Rennó — Psiquiatra | CRM-PR 51546 | RQE 39107

Fonte base: Adaptado do capítulo “Depressão” do Tratado de Saúde Mental da Infância e Adolescência da IACAPAP.

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Se você reconheceu algum desses sinais em você ou em um familiar, uma avaliação individualizada pode ajudar.

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